Meu gato morreu envenenado.
É sexta-feira. Fui acordado por minha mãe, que saía para trabalhar quando percebeu algo estranho com o bicho. Meio mole, meio torto, meio morto. Peguei ele pelas costas, sempre tão difícil de ser capturado, e o coloquei sem dificuldade numa caixa de tênis Adidas. Fui ao veterinário.
Nome ele não tinha. Descobri hoje, inclusive, que ele era ela. Ele era ela e eu não sabia. Não se pode ter um gato sem saber sequer seu gênero. Mas nossa convivência foi curta, hão de convir. Conheci-o(a) dois meses atrás, quando Castiçal, sua mãe, prestes a explodir de tão grande, deu a luz a três lindos gatinhos. Um sumiu no mundo; outro foi para uma criança que acabava de perder seu antigo animal morto com uma paulada na cabeça; e ele(a) ficou.
Nome ele não tinha. Descobri hoje, inclusive, que ele era ela. Ele era ela e eu não sabia. Não se pode ter um gato sem saber sequer seu gênero. Mas nossa convivência foi curta, hão de convir. Conheci-o(a) dois meses atrás, quando Castiçal, sua mãe, prestes a explodir de tão grande, deu a luz a três lindos gatinhos. Um sumiu no mundo; outro foi para uma criança que acabava de perder seu antigo animal morto com uma paulada na cabeça; e ele(a) ficou.
Não gostava muito de gente. Rondava a varanda, deitava no tapete, mas ao som de qualquer movimento humano se escondia embaixo da máquina de lavar. De lá, botava a cabeça pra fora do esconderijo e só saía quando todos nós já estávamos distantes.
Ontem foi assim, mas hoje ele(a) acordou mole no tapete. Não tinha força nem pra levantar a cabeça, que dirá correr para baixo da máquina. E saiu de casa dentro de uma caixa de sapato.
Meu gato foi envenenado, disse o veterinário. Introduziu um termômetro no seu rabo, aplicou-lhe algumas injeções e disse que era isso. Era veneno. Alguém o envenenou, o antídoto foi aplicado, ele(a) é frágil, pequenino, mas deus fará com que sobreviva, vai passar, vai passar, observe-o(a) e volte amanhã. E eu saí, com meu gato mole dentro da caixa do Adidas.
Trouxe ele(a) pra dentro de casa, coloquei-o(a) sobre uma folha de jornal, com uma tigela de leite ao lado e esperei. Vai passar, vai passar.
E entre os miados-gritados eu o(a) peguei. Passava a mão no pelo frio, no corpo mole, falava baixinho, vai passar, vai passar.
E entre os miados-gritados eu o(a) peguei. Passava a mão no pelo frio, no corpo mole, falava baixinho, vai passar, vai passar.
Mas não passou.
E foi assim por uma hora, até que o barulho cessou. O meu gato arisco que estava mole agora estava morto. E não havia o que fazer.
É preciso muito sangue frio pra enterrar o próprio animal de estimação. Joguei-o(a) em cova rasa, porque as ferramentas não ajudavam. A primeira pá de terra é a que dói mais, depois que o cadáver some sob a areia fica fácil, trabalho mecânico, corpo-máquina quando a cabeça para de pensar.
E o meu gato, que era gata e nem tinha nome, foi enterrado porque morreu envenenado numa sexta-feira de dezembro.
E o meu gato, que era gata e nem tinha nome, foi enterrado porque morreu envenenado numa sexta-feira de dezembro.
O que dói, agora, é ouvir o miado-chorado de Castiçal em frente à máquina de lavar, esperando seu filho sair, já está tudo bem, menino, não tem mais ninguém aqui, todos saíram pra trabalhar, vem ficar comigo. E ele não vai. Está num buraco no quintal.
3 comentários:
:( muito triste.
Sei que isso já faz um certo tempo , mas sinto muito por você , pela sua perda , bom eu descobri o seu blog só hoje , então sinto muito por não poder lhe dado meus pesames antes , eu já tive muitos bichos de estimação me que deixaram ... sei bem como é triste e o quanto dói . Eu sou suspeita pra falar sobre gatos , eu ou louca pelos gatos , tenho uma gata ela se chama NINO, eu pensava que era um gato por isso o nome , meio parecido com teu caso rs. Enfim , eu só sinto muito por você ter passado por isso :/
Espero que lembre sempre dela com um grande sorriso no rosto , acho que lágrimas não deviam combinar com ela não é ? :)
Se cuide , abraços !
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